Responsabilidade social e as empresas do futuro

19 Jun

A responsabilidade social das empresas assenta fundamentalmente numa “equação” com três aspectos fundamentais: a responsabilidade social empresarial, a cidadania empresarial e o voluntariado empresarial.

 

O director executivo para o Pacto Global das Nações Unidas (ONU), Georg Kell, afirmou recentemente que «[Com a crise] o compromisso filantrópico da Humanidade diminuiu no que se refere a doações de dinheiro. Mas o compromisso estratégico de responsabilidade corporativa aumentou, porque é visto como parte da agenda de risco. Isso é visto como parte da questão de lidar com a incerteza».

Assistimos, assim, à procura de um novo modelo de negócio por parte das empresas, que se adapte ao actual contexto socioeconómico de grande instabilidade. Estamos perante um momento histórico que exige uma profunda reflexão sobre os valores que geraram a nossa civilização. A situação actual leva-nos a ter uma maior consciência e responsabilidade social, enquanto cidadãos e empresas. Mas, afinal, o que é responsabilidade social!? Trata-se da gestão empresarial que se rege pela ética e transparência das empresas com as suas partes interessadas, definindo objectivos empresariais em que o desenvolvimento sustentável da sociedade está integrado, não descurando a preservação dos recursos ambientais e culturais, respeitando assim as gerações futuras, contribuindo igualmente para a diminuição de assimetrias socioeconómicas.

Valores que assentam na solidariedade partilhada são a base de edificação do nosso carácter e de uma sociedade com maior equidade. Uma empresa tem como objectivo gerar valor e isso implica a legítima obtenção de lucro. Mas quem cria esse lucro? Sem dúvida que a resposta passa pelo capital humano, quer ao nível interno, quer ao nível externo. A responsabilidade social das empresas assenta fundamentalmente numa “equação” com três aspectos fundamentais: a responsabilidade social empresarial, a cidadania empresarial e o voluntariado empresarial.

A responsabilidade social empresarial diz respeito às necessidades dos colaboradores da empresa, que devem ser asseguradas, tais como a formação, a assistência na saúde, entre outros aspectos relevantes. A responsabilidade social começa “dentro” da empresa. Para além do seu ordenado, os colaboradores devem ter compensações não-monetárias, que são uma mais-valia na sua qualidade de vida, funcionando igualmente como uma motivação extra no seu desempenho profissional.

A cidadania empresarial, ou seja, a gestão das relações com as partes interessadas (colaboradores, clientes, sociedade e outros), baseada na ética, transparência e respeito, é fundamental para que uma empresa possa ambicionar criar valor num mercado cada vez mais competitivo e exigente. Esta passa, por exemplo, pelo estabelecimento de um compromisso com a sociedade, contribuindo para a construção e desenvolvimento desta, e de forma sustentável.

A cultura de “Pensar Global, Agir Local”, iniciada em 1992 com a “Conferência do Rio”, é já uma realidade: a colocação de trabalhadores residentes na área de implementação da empresa, o aproveitar de recursos locais, são uma forma de gestão mais responsável e sustentável, reduzindo impactos, e criando simultaneamente valor na comunidade local, reduzindo assim a exclusão social, bem como as assimetrias socioeconómicas. Em algumas zonas do nosso país podemos comprovar o papel vital que as empresas locais têm para a sustentabilidade socioeconómica da região.

A empresa deve igualmente promover uma atitude socialmente responsável nos seus colaboradores, desenvolvendo acções de voluntariado empresarial, envolvendo-se com a sociedade. Já não basta falar que existe preocupação e vontade de mudança, “arregaçar as mangas” e ir para o terreno, colocando colaboradores ao serviço da sociedade, é uma mais-valia para todos. Os colaboradores que praticam voluntariado ficarão sem dúvida com uma “nova” visão do mundo e mais “sensíveis” às necessidades da sociedade. O número de horas disponibilizadas para o voluntariado no horário laboral varia consoante a empresa. Só se deve considerar socialmente responsável a empresa que integre na sua cultura empresarial os três pilares – responsabilidade social empresarial, cidadania empresarial e voluntariado empresarial, numa lógica de continuidade e melhoria contínua. E até mesmo as exigências do consumidor são cada vez maiores no que respeita à sustentabilidade, segundo um estudo apresentado no ano passado, pela Havas Media: “Quanto mais sustentável for uma marca, quanto maior valor tiver para as pessoas, sociedade e planeta, mais significado passará a ter para os consumidores.”

Em Portugal já existem algumas empresas que têm no seu ADN a responsabilidade social, em que esta é transversal a toda a organização, havendo um compromisso com a sociedade e com os cidadãos na construção de uma sociedade mais equilibrada social, ambiental e economicamente.

Por fim, sublinhamos o facto de actualmente assistirmos a uma mudança de paradigma no ciclo de vida humano, ou seja, a população idosa está em franco crescimento e a esperança média de vida em Portugal aproxima-se dos 80 anos de idade. Vivemos mais tempo e temos mais qualidade de vida. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Lisboa e o Instituto do Envelhecimento, coordenado pela Dr.ª Luísa Lima (ISCTE-IUL), em Portugal, ao contrário dos restantes países europeus, a discriminação por idades é mais frequente contra os idosos do que contra os jovens. Desta forma impõe-se às organizações o desafio de melhor aproveitar o potencial das pessoas mais velhas como contributo útil para a sociedade e a economia.

Temos uma vasta população de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, aptas a desenvolver algo que trará mais-valias à sociedade, mas não estamos preparados para lidar com isso. A Comissão Europeia nomeou 2012 como o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Um novo público está a emergir rapidamente – os Seniores. De que modo as empresas em Portugal e na Europa vão lidar com este novo paradigma social!? Aguardam-se respostas e iniciativas em 2012.

Texto de Ana Margarida Inácio, Marta Fonte e Tiago Gouveia, alunos do IPAN com o apoio do Mestre Joaquim Caetano

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